Minha experiência esportiva durante a infância limitou-se aos esportes escolares como judô, basquete, handebol e natação, desde cedo ao lado do skate e da bicicleta com a numerosa turma do prédio onde morávamos. Mas foi essa última que sempre chamou mais a minha atenção, pois significava um jeito prático de ir até a banca da esquina comprar figurinhas ou de desafiar minha coragem ao descer e subir calçadas. Mas a bike representava muito mais: a liberdade, a velocidade, os saltos nas rampas caseiras, voltas na pista de BMX da Monark, as aventuras dos passeios ciclísticos da primavera. Era o que me ocupava nos finais de semana.

(…) a bike representava muito mais: a liberdade, a velocidade (…)

Com o início da adolescência, meus níveis de energia só aumentavam e isso significava que teria que extravasar em uma atividade esportiva estruturada! Foi quando surgiu a oportunidade do polo aquático pelo Esporte Clube Pinheiros. Fui, então com 13, apresentado à disciplina. Treinos pesados, horas numa piscina fria, suor, disciplina, muita ginástica e corrida para preparar o corpo. Claro, a bike continuou me acompanhando como meio de transporte até o clube e nos momentos de diversão. Depois de cinco anos na piscina, havia chegado à conclusão de que o esporte coletivo não era para mim. Adorava todas as etapas do treino, até chegar à parte do jogo. Foi quando soube da etapa santista do então campeonato C&A de triathlon. Nas distâncias curtas, achei que poderia facilmente concluí-lo, pois a esta altura já vinha participando das edições noturnas da São Silvestre fazia alguns anos. Os 20km da etapa do ciclismo, porém, exigiriam um pouco de preparo especializado, já que na época minha bike era apenas uma versão pré mountain bike chamada Caloi Cruiser. A solução foi vendê-la para comprar uma bicicleta de competição, a Caloi Concorde RT de 10 marchas. Alguns treinos de 30 quilometros por avenidas de São Paulo foram o suficiente para me deixar otimista. Um imprevisto, porém, adiou minha estréia. Ao tentar fazer uma manobra acrobática sobre uma BMX, torci o tornozelo e fui parar no gesso! Foi então em março do ano seguinte, 1988, com dezoito anos, participei do meu primeiro triathlon, no Iate Clube Aquidabã em Angra dos Reis. Desde então, foram mais de 150 provas competindo profissionalmente provas de triathlon e inúmeros biathlons (como eram chamadas na época as provas de duas modalidades do triathlon). Integrei em seis ocasiões a seleção brasileira e conquistei diversos títulos regionais e nacionais. Até 1997 foram duas participações no Mundial de Ironman do Havaí (1994 e 1996), uma no Ironman da Nova Zelândia (1996), uma no Campeonato Mundial de Longa Distância em Nice, na França, e o primeiro Campeonato Sul Americano de Triathlon, realizado no Rio de Janeiro (ambos em 1991). Durante minha carreira tive o orgulho e privilégio de ter representado marcas emblemáticas no esporte nacional e mundial como: Ocean Pacific (OP), Nike, Grupo Pão de Açúcar, Oakley, Reebok, Asics, Pedal Power e Twinlab Laboratories.

Após quase uma década de dedicação total, uma outra modalidade começava a me chamar a atenção. Em 1998 a corrida de aventura dava seus primeiros passos por aqui. A combinação de novas modalidades e o fator “aventura” foram o suficientes para me motivar a deixar o triathlon. Primeiro vieram as corridas curtas, de poucas horas, mas logo me encantei com a primeira edição da EMA (Expedição Mata Atlântica). Um grupo de pessoas vindas das mais diferentes modalidades e estilos de vida, fazendo história no esporte nacional. No ano seguinte, provas cada vez mais desafiadoras e outra dificílima edição da EMA. Assim foi até minha última prova de aventura, no ano de 2001.

Ao longo dos anos competindo no triathlon, fui adquirindo admiração e gosto por provas longas.

Ao longo dos anos competindo no triathlon, fui adquirindo admiração e gosto por provas longas. Participei de algumas maratonas e de praticamente todos “meio Ironman” que apareceram no calendário nacional entre 1990 e 1997. Mas foi em 1994 que fui convidado a participar de um evento que iria mudar minha vida para sempre. Fui apresentado ao Race Across America, integrando a primeira equipe brasileira na história da prova de ciclismo que é considerada até hoje o evento esportivo mais duro do mundo! A fascinação foi tamanha que participei novamente em 1995, 1997 e 2001, quando estabeleci o recorde da prova na categoria duplas. Voltei a participar mais uma vez como ciclista em 2004 e integrando a equipe de apoio do saudoso Cláudio Clarindo em 2012 e 2015.

Ainda no ciclismo de ultra distância, participei da primeira edição do Extra Distance 800k, entre Fortaleza e São Paulo (2002) e na categoria “solo” das edições de 2003 e 2004; além de ter sido um dos idealizadores, também participei do primeiro Desafio 24h de ciclismo, em Fortaleza (2002). No mountain bike, tive o prazer de participar da Cape Epic, conhecida como o “Tour de France do mtb” em quatro edições seguidas (de 2008 à 2011).

De lá para cá, continuo treinando diariamente, ou quase, driblando lesões, conciliando minhas três meninas e o trabalho. Além de me sentir bem psicologicamente, é sempre legal estar em forma para o próximo desafio. Seja na piscina aqui perto ou numa estrada do outro lado do mundo!